Essa é uma pequena contribuição para divulgar uma campanha que tem como objetivo o enfrentamento de um problema que já é considerada de saúde pública no Brasil. Em pesquisa recente divulgada no G1, mostrou que o Brasil está em 1º lugar mundial de consumo desta droga. Desta forma mostrarei neste Artigo as 10 perguntas e restposta para entender e prevenir o Crack divulgado em cartilha do CNJ. Acredito que cada um de nós devemos fazer nossa parte para enfrentar esse grande problema que assola as famílias brasileiras trazendo desgraças, tristeza, morte, desilução e outros males. Faça sua Parte !
10 perguntas e respostas para entender o CRACK
1 O que é crack?
É uma substância
psicoativa euforizante (estimulante), preparada à base da mistura da pasta de
cocaína com bicarbonato de sódio. Para obtenção das pedras de crack também são
misturadas à cocaína diversas substâncias tóxicas como gasolina, querosene e
até água de bateria. A pedra de crack não é solúvel em água e não pode ser
injetada. Ela é fumada em cachimbo, tubo de PVC ou aquecida numa lata. Após ser
aquecida em temperatura média de 95ºC, passa do estado sólido ao de vapor.
Quando queima, produz o ruído que lhe deu o nome. Pode ser misturada com
maconha e fumada com ela.
A merla, também
conhecida como mela, mel ou melado, preparada de forma diversa do crack,
apresenta-se sob a forma de uma base e também é fumada.
Utilizada
predominantemente no Distrito Federal, a merla é extremamente tóxica e acarreta
sérias complicações médicas.
2 Quais seus efeitos imediatos?
Ao ser fumado, é
absorvido pelo pulmão e chega ao cérebro em 10 segundos. Após a “pipada” (ato
de inalar a fumaça), o usuário sente grande prazer, intensa euforia, sensação
de poder, excitação, hiperatividade, insônia, perda de sensação de cansaço e
falta de apetite. O uso passa a ser compulsivo, pois o efeito dura apenas de 5
a 10 minutos e a “fissura” (vontade) em usar novamente a droga torna-se
incontrolável. Segue-se repentina e profunda depressão e surge desejo intenso
de uso repetido imediato. Assim, serão usadas muitas pedras em seguida para
manter o efeito estimulante.
3 Como causa dependência?
Por ser fumado,
expande-se pela grande área da superfície do pulmão e é absorvido em grande
quantidade pela circulação sanguínea. O efeito é rápido e potente, porém passa
depressa, o que leva ao consumo desenfreado.
4 Quais as conseqüências do uso em médio e
longo prazo?
Físicas: Danos ao pulmão, associado a fortes dores no peito, bronquite e
asma; aumento da temperatura corporal com risco de causar acidente vascular
cerebral; destruição de células cerebrais e degeneração muscular, o que confere
aquela aparência esquelética do usuário freqüente. Inibição da fome e insônia
severa. Além disso, os materiais utilizados para a confecção dos cachimbos são
muitas vezes coletados na rua ou no lixo e apresentam risco de contaminação
infecciosa, gerando potencial elevação dos níveis de alumínio no sangue, de
modo a aumentar os danos no sistema nervoso central. São comuns queimaduras
labiais, no nariz e nos dedos dos usuários.
Psicológicas: Fácil dependência após uso inicial.
Grande desconforto durante abstinência gerando depressão, ansiedade e
agressividade contra terceiros. Há diminuição marcante do interesse sexual. A
necessidade do uso freqüente acarreta delitos, para obtenção de dinheiro, venda
de bens pessoais e familiares, e até prostituição, tudo para sustentar o vício.
A promiscuidade leva a grave risco de se contrair AIDS e outras DSTs (doenças
sexualmente transmissíveis). O usuário também apresenta com freqüência atitudes
bizarras devido ao aparecimento de paranóia (“nóia”), colocando em risco a
própria vida e a dos outros.
Sociais: Abandono do trabalho, estudo ou qualquer outro interesse que não
seja a droga. Deterioração das relações familiares, com violência doméstica e
freqüente abandono do lar. Grande possibilidade de envolvimento com
criminalidade. A ruptura ou a fragilização das redes de relações sociais,
familiares e de trabalho normalmente leva a aumento da estigmatização do
usuário, agravando sua exclusão social. É comum que usuários de crack matem ou
sejam mortos.
5 Quem é o usuário de crack?
Por muito tempo a
dependência química foi considerada uma doença masculina; aspectos sociais e
culturais que propiciavam mais acesso masculino às drogas levavam a crer que
eles seriam mais suscetíveis. No entanto, atualmente, o consumo de substâncias
ilícitas e álcool são indiscriminados entre mulheres e homens adultos e
adolescentes. No caso do crack, implicam-se no uso até mesmo crianças de várias
idades.
Também acreditava-se
anteriormente que seu uso era mais intenso nas classes de baixa renda, porém,
hoje, a utilização do crack já ocorre em todas as classes sociais. As
populações mais vulneráveis, entre elas, moradores de rua, crianças e
adolescentes constituem importante grupo de risco.
6 Quais são os sinais para reconhecimento
do uso de crack?
• abandono de interesses sociais não ligados
ao consumo e compra de drogas;
• mudança de companhias e de amigos não
ligados ao consumo desta;
• visível mudança física, perda de pelos,
pele ressecada, envelhecimento precoce;
• comportamento deprimido, cansaço, e
descuido na aparência, irritação e agressividade com terceiros, por palavras e
atitudes;
• dificuldades ou abandono escolar, perda de
interesse pelo trabalho ou hábitos anteriores ao uso do crack;
• mudança de hábitos alimentares, falta de apetite,
emagrecimento e insônia severa;
• atitudes suspeitas, como telefonar para
pessoas desconhecidas dos familiares com freqüência e “sumir de casa” sem aviso
constantemente;
• extorsão de dinheiro da família com
ferocidade;
• mentiras freqüentes, ou, recusa em
explicar mudança de hábitos ou comportamentos inadequados.
7 Pode ser associado ao uso de outras
drogas?
É comum que usuários
de crack precisem de outras substâncias psicoativas no período das chamadas
“brisas”, ou seja, no período imediato após uso do crack. Nesse momento,
acabando o efeito estimulante, há grande mal-estar, sendo usados álcool,
maconha ou outras substâncias para redução desta péssima sensação. O sofrimento
psíquico decorrente do uso do crack induz o usuário a múltiplas dependências.
8 Que atitudes podem agravar a situação do
usuário?
No início do uso da
droga, o indivíduo ilude-se, imaginando que “com ele vai ser diferente”, que
“não vai se tornar um viciado”. Mesmo quando progride para a dependência,
continua acreditando que “para quando quiser” e não percebe que, na realidade,
não quer parar nunca. Pelo contrário, quer sempre mais.
A atitude de negação
da doença pela família também é muito nociva. Ela não deve sustentar mentiras
para si mesma, amenizando a gravidade da situação e acreditando que o usuário
deixará de usar o crack com o tempo ou sem ajuda de terceiros.
Pessoas que são
dependentes de álcool ou tabaco, apesar de serem drogas lícitas, devem entender
que, para criticar o outro por se tornar dependente do crack, precisam antes
corrigir em si mesmas estes hábitos, pois, do contrário, não têm alcance, como
exemplo a ser seguido ou ouvido.
9 Quais as atitudes que podem ajudar?
Se você é pai, mãe ou
tem alguém que lhe é querido, sob suspeita de uso do crack, principalmente, em
faixa de idade vulnerável, como crianças e adolescentes, procure manter bom
relacionamento, com o suposto viciado, que garanta abertura para diálogo. O
melhor é buscar saber de sua vida, com quem está, os lugares que freqüenta, seu
desempenho no trabalho ou na escola. Observe se ocorrem mudanças bruscas de
comportamento. A manutenção do vínculo afetivo é muito importante, tanto para a
detecção do problema, quanto para solução no tratamento. Necessário que haja
atenção quanto ao ambiente escolar e à vizinhança.
Oriente seu filho ou
ente querido a se afastar de pontos de venda de droga ou dos freqüentadores
desses locais. Adolescentes comumente apresentam comportamento destemido e
sentem-se desafiados a se aproximar do perigo para ter a ilusão de que estão
acima do bem e do mal.
Como adulto, deixe
claro que sua autoridade é fruto não apenas de amor, mas de capacidade de
entender o mundo atual e saber diferenciar o que destrói e o que constrói, em
oposição à sedução do traficante. Os agentes do tráfico procuram ser simpáticos
e amistosos para com sua população-alvo. Ensinam gíria própria e não destoam da
imagem da moda seguida pelo público que eles visam.
O Disque-Denúncia no
seu Estado ou Município pode ser utilizado para denunciar traficantes.
10 Quais as possibilidades de tratamento?
Inicialmente é
necessária uma avaliação do paciente, para saber sobre o efetivo consumo de
crack. A partir deste perfil, ele deverá ser encaminhado ao ambiente e ao
modelo de atenção adequado. Deve ser verificado o grau de dependência e o uso
nocivo, assim como a intenção voluntária de busca de ajuda para o tratamento.
É preciso entender
qual o padrão do consumo, que pode oscilar muito, e indicar a gravidade do
quadro em relação a cada usuário de crack.
Caracterizam-se três
modos de consumo:
• baixo risco: com raros e leves problemas. Isto é excepcional entre usuários de
crack, praticamente inexistente;
• uso nocivo ou abuso: que combina baixo consumo com problemas freqüentes (observável
em usuários recentes);
• dependência: alto consumo com graves problemas (é o perfil do usuário que
busca serviço especializado).
O usuário também deve
ter avaliada a sua disposição para o tratamento.
É o que se chama
classificar o “estágio motivacional”, que irá definir as estratégias e
atividades para promoção do tratamento individual.
Princípios para
investigação motivacional:
Pré-contemplação: O usuário não tem consciência de que
precisa mudar. É resistente à abordagem e à orientação.
Contemplação: Reconhece o problema, aceita abordagem
sobre mudança, mas continua valorizando e usando a droga.
Preparação: Reconhece o problema, percebe que não
consegue resolver sozinho e pede ajuda. Esta fase pode ser passageira, daí ser
necessário pronto atendimento quando solicitada pelo indivíduo.
Ação: O usuário interrompe o consumo, inicia
tratamento voluntariamente e precisa ser acompanhado por longo tempo, mesmo
melhorando, pois ainda corre grande risco de recaída, mantendo-se ambivalente
diante da droga.
Manutenção: Nesta fase, o usuário está em abstinência,
com risco de recaída, ainda possível pela ambivalência de sua relação com a
droga e fatores de risco próprios de cada caso. Pensa nela com freqüência.
Cuida-se preventivamente do risco de recaída.
Recaída: Retorno ao consumo, após período longo de
abstinência, É importante notar que recair não é voltar ao zero. Necessária
esta percepção, para retomar a recuperação, a fim de que a culpa e a
desesperança não destruam o novo empenho de melhora.
Quanto mais pronto e
motivado o indivíduo, mais objetiva será a proposta terapêutica, enquanto a
situação contrária implicará mais negociação e tempo. Devem ser tratados também
problemas psiquiátricos paralelos ao uso do crack. O uso medicamentoso é
indicado para auxiliar na redução da vontade do uso da substância (supressão da
“fissura”), aliviar os sintomas da abstinência e diminuir, ou mesmo inibir, o
comportamento de busca. O tratamento multidisciplinar é a melhor forma de intervenção
nestes casos e permite resposta ampla às necessidades, principalmente, do
usuário que precisará de abordagens terapêuticas por longo tempo.
A recuperação depende
fundamentalmente do apoio familiar, da comunidade e da persistência da pessoa.
Quanto mais precoce a busca de ajuda, mais provável o sucesso do tratamento.
Este é penoso, com grande sofrimento físico e psicológico, além de, dependendo
do caso, significativa possibilidade de recaídas.
Mesmo o indivíduo
abstinente pensa com freqüência na droga. É preciso tomar isso em consideração,
para não desanimar e ter coragem de continuar. A ajuda profissional é
indispensável, porém, amor, compreensão e paciência não são apelos demagógicos;
mas, sim, estratégias concretas de ajuda, que qualquer decisão pode
proporcionar ao seu semelhante em risco. Manter-se bem informado e ter boa
vontade são atitudes que podem contribuir muito para o tratamento dos dependentes
químicos.
Não há tratamento
único para o crack, mas é nos Municípios, local onde as pessoas vivem, que deve
ocorrer a atenção integral ao usuário de drogas e às famílias. A detecção
precoce e imediata intervenção são importantes aliados no enfrentamento da
questão. Para atendimento, procure o CAPSad Centro de Atenção Psicossocial –
Álcool e Drogas (CAPSad) ou o Programa Saúde da Família no seu Município. Em
caso de dúvidas, entre em contato com a Secretaria de Saúde de sua cidade.
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